Comunidade do Morro do Mocotó

A área denominada "Morro do Mocotó", também conhecida como Morro do Governo, inclui-se em um dos bolsões de pobreza existentes na cidade de Florianópolis/SC, área insular, no complexo do Maciço do Morro da Cruz. Localiza-se no bairro da Prainha, centro da cidade, na encosta do Morro da Cruz, atrás do Hospital do Exército e ao lado sul do Hospital de Caridade.

A área do Morro do Mocotó começou seu processo de ocupação no ano de 1900, há, portanto, cento e treze anos.

Na década de 20, quando da construção da Ponte Hercílio Luz, as ex-lavadeiras, habitantes do Morro, passaram a cozinhar para os operários e o prato principal era o "Mocotó". Daí a origem do nome doMorro: Morro do Mocotó.

O Morro do Mocotó foi uma das primeiras áreas de ocupação da cidade, mas só a partir de 1984 teve acessso à titulação legal da terra, após ter sofrido constantes ameças de despejo tanto do Exército como do Hospital de Caridade.

A população residente do Morro do Mocotó, segundo dados sócioeconomicos apurados na realização do recadastramento feito pela Prefeitura Municipal de Florianóplis em dezembro de 2001, é de 1407 habitantes, pertencentes a 378 famílias. Cabe ressaltar que mais de um terço (39,9%) destas famílias é dirigida por chefes que não têm companheiro(a), observando-se elevado número de chefes do sexo feminino (40,7%), e, dentro deste universo, 72,1% de mulheres que dirigem, sem parceiros, suas respectivas famílias.

Aocupação do Morro aconteceu, na sua maioria, por operários da construção civil. Após um grande período de tempo, sem muito adensamento, o Morro passou a ser ocupado por famílias de outros municípios, contudo, a grande maioria das famílias pesquisadas (81,5%), já residiam em Florianópolis antes de ocuparem essa área. Aparecem em seguida, as famílias procedentes dos municípios de São José (1,8%), Paulo Lopes (1,3%), e Lages (1,3%).

Sendo comunidade empobrecida pelo processo de exclusão social, recai sobre a comunidade carências de todos os níveis, o que contribui para a evasão escolar e para o encontro de crianças e adolescentes com as ruas em busca de alternativas de sobrevivência e, consequentemente, às drogas e outras formas de violência.

A saída dos pais para o trabalho, acaba deixando seus filhos desprotegidos, sujeitos a todo e qualquer tipo de riscos na própria comunidade, por falta de condições para propiciar alternativas de ocupação salutar no períocdo oposto ao escolar.

Em muitos casos, a falta de vivência da afetividade, propicia às crianças um amadurecimento emocional mais lento, falta de estimulação e insegurança. Os resultados desses fatores refletem-se no comportamento, onde, com frequência, se constata falta de concentração nas atividades pedagógicas, linguagem infantilizada, rebaixamento de desempenho (desencadeado, preliminarmente, por subnutrição e déficit calórico-proteico), tudo isso agravado por situações emocionais características do abandono.

A falta de condições que proporcionem uma vida digna, provoca não raramente, desintegração da família.

A renda familiar, proveniente do trabalho formal ou informal, não supre as necessidades básicas como moradia digna, educação, alimentação, vestuário, lazer, etc. A satisfação destas necessidades tornam-se fruto de uma luta constante pela sobrevivência, gerando frustações e, consequentemente, desestruturando as relações familiares. Nesta luta, inserem-se também os filhos, crianças e adolescentes que passam a buscar junto com os pais outras formas de obtenção de renda, expondo-se a riscos sociais pessoais como referendando o convívio com o trabalho informal de drogas.

A falta de uma renda que garanta a sbsistência, gera situações de insegurança, criando reais motivos para outros caminhos que vibializem o sustento familiar. Exemplo são os jovens da Comunidade que, não produzindo, acabam por envolver-se num mundo à parte, sem benefícios e responsabilidades. A sua não absorção no mundo produtivo, ou seja, o subaproveitamento de sua capacidade, acaba, em muitos casos registrados, fazendo-os ingressar no delito, no vício e na violência.

A situação escolar apresenta-se inadequada frente ao universo sócio-histórico-cultural de sua demanda o que, obviamente, contribui no processo de evasão e repetência escolar. Apesar de próxima geograficamente, a Instituição Escolar Pública está distanciada do contexto de vida das crianças, adolescentes e jovens, não superando os entraves impostos por uma metodologia que em nada corresponde a realidade trabalhada. A distância que a escola interpõe entre ela própria e a realidade dos educandos, aponta uma das grandes causas da falta de êxito

A situação da escola pública vem configurando a desigualdade de oportunidades para a criança empobrecida, a ausência de Políticas Públicas e a falta de uma reflexão crítica por parte dos educadores a respeito do que tem sido feito, que tipo de cidadão pretendem formar. Tal reflexão presume discutir o currículo, o que implica analisar criticamente muitos aspectos que extrapolam o âmbito da escola.

Todo esse panorama é importante e dele se pode inferir que as crianças e adolescentes do Morro do Mocotó têm seu modo de inserção e compreensão do mundo físico e social que os rodeiam.

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